Antes de reclamar do suor em excesso, é melhor pensar no benefÃcio que a transpiração traz ao corpo. A nossa temperatura deve oscilar em torno de 36,5ºC e, quando o corpo fica aquecido, as glândulas sudorÃparas liberam quantidades variáveis de suor na superfÃcie da pele, ou seja, a transpiração. É como um termostato, em que a transpiração promove o resfriamento do organismo com a evaporação do suor da superfÃcie da pele , explica o endocrinologista Cyro Guimarães Junior, professor da Faculdade de Medicina da USP.
É por isso, aliás, que a transpiração não emagrece: há eliminação de água e toxinas. O processo de emagrecimento durante a prática de exercÃcios se dá pelo gasto de energia, e não pela perda de lÃquidos.
A intensidade do suor varia de pessoa para pessoa e depende de vários fatores, entre eles sexo, dieta alimentar, estado de hidratação corporal, idade e número de glândulas sudorÃparas em atividade. Além disso, obesidade, distúrbios psiquiátricos, hipertireoidismo, menopausa e situações estressantes, como entrevistas e testes, interferem no volume de sudorese.
E a transpiração, em si, não tem odor. O mau cheiro surge, principalmente, porque as bactérias presentes nas glândulas sudorÃparas metabolizam o suor. O subproduto deste processo traz o cheiro desagradável , afirma o endocrinologista. Já o excesso de transpiração, chamado hiperidrose, causa constrangimento e pede tratamento médico.
Em alguns casos, o suor é excessivo nos momentos de ansiedade e estresse, mesmo quando a temperatura é bem baixa. Considerada uma doença pela Organização Mundial da Saúde, a hiperidrose atinge 1% da população mundial e 2 milhões de pessoas só no Brasil. Essa sudorese excessiva se concentra mais nas mãos, axilas e pés. Para controlar o suor, é possÃvel fazer uma cirurgia ou experimentar aplicações regulares de toxina botulÃnica nas áreas afetadas.
Quem sofre com o excesso de peso, precisa se preocupar com as assaduras. Segundo o endocrinologista, ao suar mais sem fazer qualquer esforço fÃsico, os obesos podem sofrer com as assaduras nas dobrinhas do corpo: debaixo do peito, nas axilas e, por atrito, nas coxas são as regiões mais suscetÃveis ao problema.
Essas lesões, que ficam sempre úmidas, ainda podem ser um foco para a proliferação de bactérias ou fungos e dar origem ao odor e até a infecções. Para que isso não aconteça é preciso manter a pele sempre seca, tomar banho com sabonetes bactericidas, usar desodorantes que ajudam no controle da transpiração e, se aparecer áreas mais vermelhas que apresentam ardência, passar uma pomada à base de óxido de zinco para proteger o local.
Alguns alimentos também influenciam no mau cheiro. Mas é um efeito transitório: dura o tempo necessário para a metabolização e eliminação das substâncias responsáveis pelo odor. Os alimentos que mais causam esse efeito são os que contêm enxofre, como o alho e a cebola , afirma a nutricionista MarÃlia Ninot. O consumo excessivo de proteÃnas aumenta a produção de amônia, dando ao suor um cheiro mais intenso. Dietas com grande restrição de carboidratos também podem modificar os odores corporais. O metabolismo acelerado de gorduras produz substâncias chamadas corpos cetônicos, causadoras de um odor caracterÃstico. Esse processo também pode alterar o odor corporal de diabéticos , completa a especialista.










