É muito comum encontrarmos pessoas, até amigos, gabando-se e exibindo seu alto Quociente de Inteligência. “Puxa, fiz um teste na internéti que deu que meu QI é de 101, que ótimo, sou acima da média!” Pois é.
Será o teste de QI, tão amplamente utilizado para medir a capacidade intelectual de uma pessoa, válido? Não existiria uma forma melhor de modelar nossa inteligência para descobrirmos quanto podemos melhorar e nos desenvolver?
A história resumida do teste de QI
Em 1900, o psicólogo Alfred Binet, a pedidos de pais e mestres educadores da época, criou uma medida que poderia prever quais crianças teriam sucesso e quais fracassariam nas séries primárias das escolas de Paris. Através de formulários e perguntas que poderiam ser respondidas objetivamente, foi desenvolvido o “teste de inteligência” que possuía uma medida: o “quociente de inteligência” ou QI.

Alfred Binet
Rapidamente, o QI chegou aos Estados Unidos e, claro, virou mercadoria. Esse teste ganhou fama quando foi ostensivamente utilizado para o recrutamente do exército americano. E existiam, sim, propagandas na época deste tipo:
Você precisa de um teste individual que forneça rapidamente uma estimativa estável e confiável da inteligência em quatro ou cinco minutos por formulário? Que tenha três formulários? Que não dependa da produção verbal ou de instrumentação subjetiva? Que possa ser utilizado por pessoas com grave deficiência física (inclusive paralisia), se elas puderem sinalizar sim ou não? Que avalie crianças de dois anos de idade e adultos com a mesma curta série de itens e o mesmo formato? Tudo isso por apenas $16,00.
Por que o teste de QI funciona e por que é usado até hoje?
Muitas vezes vemos crianças e adolescentes que possuem um QI alto realmente se darem bem nas escolas. São os gênios, cús de ferro (CDFs), nerds, excluídos, mangolões e tantos outros apelidos que as crianças diabólicas dão aos mais “inteligentes”. Por que isso acontece? Simplesmente porque o nosso sistema de educação espera que os alunos vão bem justamente nas aptidões testadas pelo teste de QI. Raciocínio lógico, matemático e lingüístico. E não raro, vemos esses mesmo indíviduos fracassarem nas sua profissões depois de adultos, quando essas não requerem aquelas habilidades nas quais eram tão bons. Da mesma forma, vemos alunos dados como médios ou até ruins - caso do grande gênio do século XX, Einstein - serem extramamente bem sucedidos posteriormente.
Qual a alternativa?
Howard Gardner - assim como muitos outros pesquisadores (L. L. Thurstone, J. P. Guilford entre outros) - rejeitaram esse modelo de inteligência e de sistema educacional. Gardner partiu do ponto de vista de que existem diversas capacidades naturais dos indíviduos e que podem ser usadas em várias situações para resolver problemas. É uma visão “pluralista” da mente, como diz Gardner:
Existe uma visão alternativa, baseada em um conceito da mente radicalmente diferente, que produz um tipo de escola também totalmente diferente. É uma visão pluralista da mente, reconhecendo muitas facetas distintas e separadas da cognição, reconhecendo que as pessoas possuem forças cognitivas diferenciadas e estilos cognitivos contrastantes. Gostaria também de introduzir o conceito de escola centrada no indivíduo que considera seriamente esta visão multifacetada de inteligência. [..] É a essa abordagem que chamei minha “teoria de inteligências múltiplas”.

Howard Gardner
As 8 Inteligências
Para classificar as inteligências, Howard Gardner e seu grupo de pesquisa tentaram separar características puras e independentes, tentando assim identificar um escopo que seria uma inteligência. Observando prodígios, crianças autistas, idiotas sábios, e indíviduos que sofreram grandes danos cerebrais, foi possível identificar de que forma cada inteligência se manifesta. Assim, elas foram separadas nas seguintes classes:
1. Inteligência lingüística: Capacidade de entender e desenvolver uma linguagem. A inteligência lingüística é facilmente percebida no trabalho dos poetas e compositores.
2. Inteligência lógico-matemática: Junto com a inteligência lingüística é a mais valorizada no sistema educacional atual. Geralmente, facilidades nessas duas inteligências é que caracterizam o indivíduo inteligente.
3.Inteligência espacial: Capacidade de formar um modelo mental de um mundo espacial e ser capaz de operar utilizando esse modelo. Quando os marinheiros encontravam seu caminho dentre diversas ilhas se guiando apenas pelas estrelas e constelações e da forma como as embarcações navegavam pela água, utilizavam amplamente sua inteligência espacial. Outro ótimo exemplo são os cegos. Possuem um modelo mental do ambiente tão preciso que muitas vezes nem de vara precisam.
4. Inteligência musical: Mozart. Bach, Beethoven e tantos outros eram gênios. A facilidade com que desenvolviam seus talentos musicais, até com grandes dificuldades - como a surdez de Ludwig Van - era notável. Quem já foi ao show de Yngwie Malmsteen e viu ele conversar com sua guitarra, sabe do que se trata.
5. Inteligência corporal-sinestésica: Outro gênio pra sempre lembrado pelo mundo inteiro é Maradonna Biro-Biro Edson Renato Portaluppi Pelé. Pelé se deu mal como empresário, com as mulheres, possivelmente não se dava bem com matemática, nem com línguas. Mas ao ser colocado em um gramado, com uma bola e chuteira nos pés, virava rei. Por que não chamamos esta grande aptidão corporal de inteligência? O que acontece com Federer quando entra em uma quadra de tênis? Ou o que acontecia com Sampras? E Oscar Schmidt?
6. Inteligência interpessoal: Capacidade de entender e se relacionar com as outras pessoas. Como se comportam, como se motivam, como reagem. Políticos, vendedores, professores, grandes líderes - Bento Gonçalves, Getúlio Vargas, Napoleão, Hitler, Pedro Bial - exemplificam este tipo de inteligência. Dizem que até técnicos de futebol a possuem, de vez em quando duvido.
7. Inteligência intrapessoal: Capacidade de fazer auto-crítica. Capacidade de formar um modelo preciso de si mesmo e o utilizar para melhor se postar na frente dos problemas. Definitivamente técnicos de futebol não a possuem.
8. Inteligência natural: Essa é a inteligência mais nova, só incluída na teoria de Gardner mais recentemente. Relaciona-se com a capacidade de entender e interagir com a natureza. Habilidade de se relacionar com animais, plantas, entendimento dos processos naturais, etc.












April 16th, 2008 at 23:07
Que bom que tu gostou cara, e obrigado pelos créditos. Eu só esperava que tu agregasse idéias ao artigo, e não o copiasse integralmente. Mas tudo bem.
Um abraço.l